quinta-feira, 12 de julho de 2012

CARL ORFF

Carl Orff (Munique, 10 de julho de 1895 — Munique, 29 de março de 1982) foi um compositor alemão, um dos mais destacados do século XX, famoso sobretudo por sua cantata Carmina Burana.
Contudo, a sua maior contribuição se situa na área da pedagogia musical, com o Método Orff de ensino musical, baseado na percussão e no canto. Orff criou um centro de educação musical para crianças e leigos em 1925, no qual trabalhou até a data do seu falecimento.

Carl Orff se recusava a falar publicamente sobre seu passado. É sabido entretanto que nasceu em Munique, oriundo de uma família da alta burguesia bávara, muito ativa na vida militar alemã.
Orff estudou na Academia de Música de Munique até 1914. Serviu então às forças armadas durante a Primeira Guerra Mundial. Posteriormente, atuou nas óperas de Mannheim e Darmstadt, retornando depois a Munique, para continuar seus estudos musicais.[1]
Em 1925 foi co-fundador da Guenther School, para atividades físicas, músicas e dança em Munique, na qual trabalhou com iniciantes em música até o fim de sua vida. Pelo constante contato com crianças, desenvolveu suas teorias de educação musical neste período.[2]
Embora a associação de Orff com o nazismo nunca tenha sido comprovada, Carmina Burana tornou-se muito popular na Alemanha nazista depois de sua apresentação na cidade de Frankfurt, em 1937. Orff era amigo de Kurt Huber, um dos fundadores do movimento de resistência Die Weiße Rose (em alemão, '"A rosa Branca"), condenado à morte pelo Volksgerichtshof e executado pelos nazistas em 1943. Depois da Segunda Guerra Mundial, Orff alegou ter sido membro do grupo, tendo-se envolvido na resistência, mas não há evidências disso.[3]
Orff foi enterrado na igreja barroca do Mosteiro de Andechs, no priorado de Andechs, sul de Munique.

Trabalho musical

Carl Orff é mais conhecido por Carmina Burana (1937), uma cantata encenada. É a primeira de uma trilogia intitulada Trionfi, que também inclui Catulli Carmina e Trionfo di Afrodite. Essas composições refletem seu interesse pela poesia medieval alemã. É descrita pelo compositor como "a celebração de um triunfo do espírito humano pelo o balanço holístico e sexual". O trabalho foi baseado no verso erótico do século XIX de um manuscrito chamado Codex latinus monacensis, encontrado num mosteiro da Baviera em 1803 e escritos pelos goliardos. Apesar de moderno em algumas de suas composições, Orff soube capturar o espírito da era medieval em sua trilogia. Os poemas medievais foram escritos em uma forma arcaica de alemão e latim.
Com o sucesso de Carmina Burana, Orff abandonou todos os seus trabalhos anteriores, exceto por Catulli Carmina e En trata, que foram reescritos até serem reaceites por Orff. Como fato histórico, Carmina Burana é provavelmente a peça mais famosa da Alemanha nazi. Foi tão popular que Orff recebeu subsídios em Viena para compor uma música para Sonho de uma Noite de Verão, a fim de substituir a música banida de Mendelssohn.
Orff relutava em denominar seus trabalhos simplesmente como óperas. Por exemplo, ele designou Der Mond (ou A lua em língua alemã) (1939) como Märchenoper (ou Ópera de conto de fadas). Die Kluge (A mulher sábia) (1943) também se incluía na mesma categoria, segundo ele. Em ambas as composições existe o mesmo som medieval ou atemporal, sem copiar os idiomas musicais do período.
Sobre Antígona (1949), Orff alega que não era uma ópera, mas sim uma configuração musical de uma tragédia arcaica. O texto é uma excelente tradução para o alemão, por Friedrich Hölderlin, da peça de Sófocles do mesmo nome. A orquestração depende muito da percussão, mas é simples. Foi definida por muitos como minimalista, em razão da linha melódica da obra. A história da caça de Antígona é similar à de Sophie Scholl, heroína da Rosa Branca.
O último trabalho de Orff, De Temporum Fine Comoedia (Uma peça para o final dos tempos), teve sua apresentação no festival de música de Salzburgo em 20 de agosto de 1973, executada por Herbert von Karajan com a Orquestra Sinfônica e de Coro de Colônia.

Trabalho pedagógico

Ao longo de sua vida, Orff trabalhou bastante com crianças, usando a música como uma ferramenta educacional, tanto a melodia e o ritmo, tratadas através de palavras.
Nos círculos pedagógicos, Orff é lembrado por essa nova abordagem da educação musical, desenvolvida junto com Gunild Keetman e consubstanciada no seu método Orff-Schulwerk (1930-35). Sua simples instrumentação permite que mesmo crianças não iniciadas possam executar peças musicais com facilidade. O termo Schulwerk em alemão significa tarefa (ou trabalho) escolar. Joaquim Carl Orff via problemas no metodo de ensino , os musicos tinham defeitos pouco sutis quando viravam profissionais por isso criou métodos.


Seu método é conhecido e praticado em todo mundo.
“Este método de auto-descoberta musical incentiva os jovens a fazer sua própria música, a improvisar e a desenvolver composições próprias (...) a música precisava ser desenvolvida pelos próprios executantes.” (Pignatari. apud:Hamel, pg 30)
Foi o método mais difundido na França, tem uma peculiaridade, que vemos no texto de Porcher (1982)
“(...) possui características tão tipicamente germânicas que precisou ser mais ou menos adaptado pelos que o aplicam, de modo a adquirir uma certa flexibilidade que o torna talvez mais condizente com o temperamento francês.”
Como podemos ver em Fonterrada (2005), o folclore alemão não era de tão fácil execução quanto o húngaro, por essa razão não poderia servir de motivação para o método de Orff. Mas, este utilizou o mesmo princípio, da escala pentatônica para trabalhar e elaborar as canções que utilizaria em suas aulas.
“Como vimos acima, a improvisação é parte fundamental de seu método. Dentro da proposta, assumem importante papel as atividades de eco (repetir o que se ouviu) e pergunta e resposta (improvisar um segmento musical depois de ouvido um estímulo). (...) Há também grande ênfase no movimento corporal e na expressão plástica, interligados à experiência musical.” (Fonterrada 2005, p. 148)
As crianças, desde os primeiros estágios praticavam o fazer musical, tendo contato ativo com diversos instrumentos, e a liberdade de improvisar.

“O instrumental Orff (...) é como um grande conjunto de percussão, cordas e flautas doces. É composto por uma família de xilofones (soprano, alto, tenor e baixo), uma família de metalofones, tambores, pratos, platinelas, pandeiros, maracas e outros instrumentos de percussão pequenos, além de violas de gamba e flautas doces. O instrumental é de excelente qualidade musical, com boa ressonância e afinação, e permite uma massa sonora importante, com timbres diversificados, o que faz que as crianças entrem em contato com princípios básicos de combinação de timbres, a partir da experimentação. Nenhum conhecimento de Orff oferecia como técnica ou teoria, ao invés disso, ao contrário, todo conhecimento provinha da experiência. As crianças começam imitando e repetindo, depois são levadas a reagir a um estímulo, contrapondo a ele outro, semelhante ou contrastante, e finalmente a improvisar livremente.” (Fonterrada 2005, p. 151)

Assim, concluímos que a ênfase de seu trabalho está na expressão e não no conhecimento técnico que surge em detrimento da primeira.

Bibliografia

Fonterrada, Marisa Trench de Oliveira. De tramas e fios: Um ensaio sobre música e educação. Ed. Unesp, 2005.
Hamel, Peter Michael. O autoconhecimento através da música: Uma nova maneira de viver e de sentir a música. Ed Cultrix, 1991.
Porcher, Louis. Educação Artística: Luxo ou necessidade? Ed. Summus Editorial, 1982.

Referências

  1. e.g. Early Songs published by Schott Music and Songs and Chants recorded by WERGO. Página visitada em 10 de julho de 2012.
  2. Chronology by Carl Orff Center Munich. Página visitada em 10 de julho de 2012.
  3. Alberto Fassone. "Orff, Carl." in Grove Music Online. Oxford Music Online (accessed September 25, 2009).

http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Orff

http://musicalizacaolali.blogspot.com.br/2009/06/carl-orff.html

VÍDEOS:

http://youtu.be/pWvPhBv0zRQ

Nessa atividade, em roda, os alunos improvisam trechos rítmicos dentro de um compasso de 4 tempos e os colegas repetem.

http://youtu.be/4hqkzUBcf9U  ORFF DIDÁCTICA

Os alunos imitam sons da natureza.

http://youtu.be/9Mfk6QLjtks

Essa atividade trabalha a atenção, a coordenação rítmica e é bem agradável.

http://youtu.be/3i-NapXvuCM MÉTODO ORFF

"Método Orff".
II Encontro de Educação Musical do Instituto de Artes da Unicamp, 05/11/09


http://youtu.be/eI7NRF_w9cM

Assistam até o final com a inclusão da música.

http://youtu.be/Ts7q3LzDCWM

Observem que as crianças usam as duas mãos no xilofone

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O CANTO LÚDICO COM CRIANÇAS

           

                                                      OBJETIVO GERAL:
_Reconhecer a importância do canto lúdico nas classes de nível fundamental como forma de introdução aos elementos fundamentais da música.

                                                    OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
_Estimular a percepção, a sensibilização e a criatividade.

                                               CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

I - FUNDAMENTAÇÃO:

_Importância da música na educação.
_Os meios de comunicação e o seu papel no desenvolvimento cultural artístico.
_Estudos de textos relacionados à educação musical.

II - FASE VIVENCIAL:

SOM:
_aspectos da audição
_O material sonoro e a sua aplicação pedagógica.
_Exercícios práticos para o desenvolvimento da sensorialidade e sensibilidade afetiva auditiva.
_O movimento sonoro.
_Altura do som.
_Timbre.
_A escala, ordenações do som, dos nomes e notas.
_O estudo do intervalo.
_Improvização melódica.

III - RÍTMO:

_Importância dos batimentos livres.
_Exercícios rítmicos com frases, nomes e contagem.
_Repetição e improvização de rítmos.
_Modalidades rítmicas na canção ( o rítmo, o tempo, o 1º tempo e a divisão do tempo)
_Seleção e criação de textos para o trabalho sensório motor.
_A intensidade.
_A duração.
_Exercícios métricos.
_Criação de arranjos rítmicos para instrumentação percussiva.

                                                                     A CANÇÃO

_Importância da canção na iniciação musical.
_Critérios para seleção de repertório.
_A voz infantil e suas características.
_Objetivos pedagógicos da canção.
_Criação de canções com objetivos pedagógicos definidos:

  Movimento corporal
  Modalidades rítmicas
  Nomes de notas
  Intervalos
  Modo maior e menor
  Cânones
  Instrumentação, etc.

                                                MOVIMENTO CORPORAL

_Importância do sentido espacial e corporal.
_Formas básicas de locomoção
_Exercícios práticos com objetivos pedagógicos variados.

II - TOMADA DE CONSCIÊNCIA DO PROCESSO DE MUSICALIZAÇÃO

_Importância do segmento sistemático das etapas de musicalização.
_Gráficos de movimento sonoro.
_Gráficos de intensidade.
_Gráficos de duração ( curto - longo )
_Gráficos de altura de som.
_Estruturas sonoras.

                                                  CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO:

_Pela assiduidade, pontualidade e interesse pelo curso.

terça-feira, 10 de julho de 2012

A SOMA DOS TALENTOS


A soma dos 'Talentos'

Se a nota dissesse:
'Não é uma nota que faz uma música'.
...não haveria sinfonia.


Se a palavra dissesse:
'Não é uma palavra que pode fazer uma página'.
...não haveria livro.


Se a pedra dissesse:
'Não é uma pedra que pode montar uma parede'.
...não haveria casa.

Se a gota dissesse:
'Não é uma gota que pode fazer um rio'.
...não haveria oceano.


Se o grão de trigo dissesse:
'Não é um grão de trigo que pode semear um campo'.
...não haveria colheita.


Se o homem dissesse:
'Não é um gesto de amor que pode salvar a humanidade',
jamais haveria justiça e paz, dignidade
e felicidade na terra dos homens.


Como a sinfonia precisa de cada nota.
Como o livro precisa de cada palavra.
Como a casa precisa de cada pedra.
Como o oceano precisa de cada gota de água.
Como a colheita precisa de cada grão de trigo.
A humanidade inteira precisa de ti, pois onde
estiveres, és único e, por tanto, insubstituível.
Autor Michel Quoist

segunda-feira, 9 de julho de 2012

VOZ E DICÇÃO - EXERCÍCIOS DE INFLEXÃO


                                           





  Variar as inflexões das palavras seguintes, percorrendo com cada uma todos os sentimentos:


Bom dia           afônico

Adeus                 murmurando

Silêncio                 timidez

Paciência                 medo

Até logo                       calma

Agora                               pressa

Nunca mais                          amabilidade

Sossega                                    assustado

Perdoa                                         severidade

Acorda                                           advertindo

Encontrou                                          interrogando

Chegaram                                             reprovando

Não pode                                                insistindo

Olha                                                          implorando

Enganas-te                                                  ordenando

Quem é                                                          irritado

É ela                                                                 colérico

Seja feliz                                                            desesperado

Aquele beijo                                                        gritando

Que procuras?                                                        chorando

Hoje                                                                          rindo

                                                                   


   Exprimir os seguintes sentimentos de acordo com as frases abaixo dizendo apenas A E I O U:


Vontade - Hei de vencer                       A E I O U

Fraqueza - Não tenho coragem             A E I O U

Alegria - Como a vida é boa!                A E I O U

Tristeza - Morro de saudade!                A E I O U

Coragem - Quem bate a essa hora        A E I O U

Medo - Estão arrombando a porta        A E I O U

Crueldade - Morra como um cão          A E I O U

Piedade - Pobre criança                       A E I O U

terça-feira, 26 de junho de 2012

MUSICALIZAÇÃO

A musicalização é direito de todas as pessoas, de qualquer faixa etária, de qualquer nível social e de qualquer sexo.
O canto coral é um canal eficiente para o desenvolvimento da musicalidade. Todo processo de musicalização, além de levar em conta o universo sonoro de sua clientela, precisa ampliá-lo através da atividade musical orientada, para só então pensar na questão do código gráfico. O coro constitui-se assim na situação mais favorável para o desenvolvimento da musicalidade: o falar.
A música tem sido reduzida a lazer, a terapia, a supérfluo, a pano de fundo. Claro que ela pode se configurar dessa forma restrita mas nós músicos conscientes de nosso papel, temos a obrigação de reverter e ampliar essa condição.  
A música é uma das formas de conhecimento, o que não significa apenas acúmulo de informações antropológicas e históricas que se constituem em acervo cultural da humanidade mas, antes de mais nada, a música enquanto conhecimento é uma forma organizada de signos resultante da conjuntura sócio-político-econômico-cultural. (Em um país como o nosso, plural e heterogêneo, há que se levar em conta suas diversas especificidades.) A organização destes signos quando se escolhe como material de trabalho o som - entidade concreta - se configura em música que, portanto, expressa e reflete a realidade.
No Brasil, apenas a partir de 1935 a arte passou a ser levada em conta como decisiva para o processo educacional, assim mesmo para uns poucos mais especulativos e bem informados. Ainda hoje, muitos situam o artista como um ser extraterrestre, possuidor de um dom especial que já nasce pronto. Poucos percebem o árduo trabalho presente na atividade musical. Logico está que, como em todas as profissões, ser artista pressupõe uma série de características necessárias; por isso, nem todos podem ser músicos mas todos podem ser musicalizados, da mesma forma que a todos deve ser propiciado falar, ler e escrever, embora nem todos sejam oradores, locutores ou poetas.    
A arte na educação foi introduzida por Villa Lobos, em relação à música, e por Augusto Rodrigues em relação às artes plásticas. Desde aí caracterizou-se uma ruptura entre as duas áreas, o que até hoje traz consequências. Se por um lado para a proposta musical o objetivo era desenvolver a disciplina e o civismo, para as artes plásticas o fundamental era desenvolver a livre expressão, o expontaneismo, o experimentar. Ambas as trajetórias já foram revistas e o essencial é entendermos que, enquanto educadores musicais, fazemos arte-educação e portanto precisamos conhecer, analisar e debater sobre os pressupostos filosóficos, metodológicos e pedagógicos que embasam tal processo.

Valéria Peixoto
Painel Funarte de Regência Coral
Projeto Villa Lobos   

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O QUE FAZ BEM E FAZ MAL A SUA VOZ

 CUIDE DA VOZ



Uma voz harmoniosa depende de uma série de hábitos.


       O QUE FAZ BEM 

.MAÇA E FRUTAS CÍTRICAS: Elas são tonificantes e reduzem a viscosidade da saliva,
o que ajuda a evitar o pigarro, capaz de machucar as cordas vocais.
.UMA BOA NOITE DE SONO: contribui para descansar essas estruturas depois de um dia cheio de falatório.

.O REPOUSO VOCAL: durante o dia também é recomendado para quem precisa falar
horas a fio.


 O QUE FAZ MAL

.CAFÉ, REFRIGERANTES, CHÁ PRETO:  A cafeína resseca os tecidos das pregas vocais.

.MEL, LEITE E CHOCOLATE: Eles aumentam a viscosidade do muco. Evite leite quando sentir que está pigarreando.

.CONDIMENTOS FORTES E USO CONSTANTE DE PRÓPOLIS: irritam a mucosa. 



.CIGARRO: pode provocar câncer de laringe e, claro, leva àquela rouquidão típica dos fumantes.


.FALAR MUITO ALTO OU COCHICHAR: são hábitos capazes de lesionar as cordas vocais.

.COMER DEMAIS E IR PARA A CAMA em seguida, isso provoca refluxo, outro vilão.




O fonoaudiólogo bem que poderia ser considerado um personal trainer da voz. Afinal, ele domina técnicas capazes de dar uma guinada naquele timbre que é incompatível com a imagem de que o emite. "São comuns os casos de pessoas cuja voz nada tem a ver com o porte físico ou a profissão que exerce", lembra Márcia Toledo. Pense, por exemplo, num homem alto e cheio de músculos, mas com voz fininha.  "Ela pode ser trabalhada", garante Kennia Lumatti.









sábado, 23 de junho de 2012

A VOZ TAMBÉM ENVELHECE



Voz: você cuida da sua?
Só vale responder que sim se você costuma dar ouvidos às alterações de sonoridade. Elas podem denunciar o envelhecimento das cordas vocais e problemas de saúde
Por Thais Szegö | Design e Ilustração Caio Campana


Os sons vibram diferente em gente madura, já notou? É natural. A voz, assim como tudo no corpo, envelhece. É por isso que ela sai do tom fica menos firme. No caso dos homens, ainda por cima, torna-se mais fina e, no das mulheres, mais grossa. O tratamento antienvelhecimento consiste em malhar as cordas vocais. Isso mesmo. Afinal, elas são formadas por fibras musculares, mas a sessão de exercícios deve ser feita sob orientação de um fonoaudiólogo.
Maus hábitos também contribuem. Talvez você fique sem fala de espanto, mas gravata apertada, por exemplo, prejudica a voz. Pelo menos por proximidade, isso faz algum sentido. Mas o que me diz de um cinto muito justo? Esse acessório, assim como o nó que comprime o pescoço e, conseqüentemente, a garganta, atrapalha a passagem do ar, o que é fundamental para a fala, explica a fonoaudióloga Kennia Iumatti, do Instituto Cecaf , entidade paulistana que tem como especialidade a comunicação oral.
 E pensar que até a TPM pode afetar os sons que saem do aparelho fonador, formado por pulmões, brônquios e traquéia. Isso, vamos logo esclarecendo, se a mulher falar demais. O inchaço, típico dessa fase, afeta as cordas na garganta, avisa a fonoaudióloga Márcia Toledo, que também trabalha no Instituto Cecaf.
Tudo isso mostra o quão vulneráveis são as pregas vocais (outro nome para as cordas) diante de fatores externos e problemas orgânicos capazes de alterar o timbre alterações que, muitas vezes, soam mal. O uso inadequado da voz, instrumento de trabalho de cerca de 30% da população do planeta, tem culpa no cartório, sem dúvida. Mas todos não só os que tiram dela o seu sustento, caso de professores, operadores de telemarketing, locutores e tantos outros precisam ficar atentos nas modulações, que, às vezes, indicam alguma encrenca de refluxo gastroesofágico a câncer.




Em geral a rouquidão resulta de um pólipo, que é um inchaço nas cordas vocais, ou um calo, que nada mais é do que um nódulo provocado pelo atrito entre elas, exemplifica o otorrinolaringologista Eduardo Lutaif Dolci, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. O certo é ficar de ouvidos bem ligados para diferenciar uma aspereza vocal passageira, provocada por uma gripe ou algo assim, daquela que denuncia um problema mais grave. Se uma modificação do tom durar mais do que 20 dias, procure um médico, avisa Dolci. Vale mesma recomendação para as pessoas que vira e mexe ficam roucas.
Às vezes a rouquidão é tão forte que a voz vira um fiapo, perdendo a força até desaparecer. O risco de ficar afônico aumenta quando se é obrigado a ingerir certos medicamentos. Os ansiolíticos, por exemplo, interferem na circulação sangüínea e chegam mesmo a alterar o controle dos músculos envolvidos na fala, afirma Márcia Toledo. Já os diuréticos ressecam as cordas vocais, enquanto o ácido acetilsalicílico dilata os vasos e pode até provocar o rompimento de um deles se a pessoa falar demais. O que fazer?
Bem, se não for possível evitar essas drogas, capriche na hidratação. Quem usa muito a voz ou trabalha em ambientes com ar condicionado, que retira boa parte da umidade do ar, também deve beber muita água ao longo do dia, indica a fonoaudióloga Mara Behlau, diretora do Centro de Estudos da Voz, em São Paulo. Se apesar de todos os cuidados a voz teimar em falhar, não é uma boa idéia apelar para tratamentos paliativos, como pastilhas para a garganta e sprays. Diferentemente do que se pensa, esses recursos não resolvem o problema.
Ao contrário, podem até piorá-lo. Não à toa. As cordas vocais ficam anestesiadas, a pessoa se sente mais confortável e acaba falando além da conta. A primeira medida para qualquer alteração de voz é simples: repouso. Dá até para traçar um paralelo entre a voz judiada e um atleta que torce o tornozelo e, em vez de imobilizá-lo, prefere usar um medicamento anestésico para voltar ao jogo, compara Eduardo Lutaif Dolci. A lesão ficará ainda mais grave. Portanto, prefira fazer alguns minutos de silêncio.